Flamengo e Palmeiras chegam à final da Libertadores após reconstrução financeira que revolucionou gestão, investimentos e desempenho esportivo.
BRASIL - Na final da Conmebol Libertadores, Flamengo e Palmeiras simbolizam modelos de reconstrução financeira que transformaram ambos em potências esportivas e administrativas. A partir de 2013, os dois clubes deixaram períodos de crise ao reorganizar dívidas, estruturar departamentos internos e adotar gestões modernas, tornando-se referências nacionais em investimentos e competitividade.
Reconstrução financeira do Palmeiras abre caminho para era de títulos
O início dos anos 2000 marcou uma fase crítica no Palmeiras após o fim da Era Parmalat. O clube enfrentou instabilidade política, dificuldades administrativas e duas quedas para a Série B, em 2002 e 2012. Mesmo assim, deu início à reconstrução com reforços de impacto, como Edmundo e Valdivia, que ajudaram a encerrar o jejum com o Paulistão de 2008.
A virada definitiva começou em 2013, com o presidente Paulo Nobre promovendo reorganização financeira profunda. Apesar do equilíbrio econômico, os títulos ainda eram raros. Isso mudou com a chegada do diretor Alexandre Mattos e de peças-chave como Dudu, que impulsionaram conquistas expressivas:
Copa do Brasil (2015)
Campeonato Brasileiro (2016)
Sob Mauricio Galiotte, o clube ampliou receitas com patrocínios robustos, fortaleceu a base, vendeu jogadores por altos valores e modernizou a Academia de Futebol. A contratação de Abel Ferreira, hoje o técnico mais vencedor do Palmeiras, consolidou a ascensão.
Em 2021, Leila Pereira assumiu a presidência e manteve o padrão elevado, reforçando o elenco, investindo nas categorias de base e sustentando a saúde financeira.
Nos últimos dez anos, o Palmeiras conquistou 14 títulos, incluindo duas Libertadores, quatro Brasileiros e duas Copas do Brasil, vivendo sua fase mais gloriosa.
Reestruturação financeira transforma Flamengo e marca nova era no clube
O Flamengo iniciou sua reconstrução financeira em 2013, na gestão Eduardo Bandeira de Mello. O clube enfrentava dívidas superiores a R$ 737 milhões e crise administrativa. A prioridade foi recuperar credibilidade, reduzir o passivo e reestruturar processos internos, mesmo com investimentos modestos no futebol.
Entre 2013 e 2015, o Rubro-Negro:
reduziu dívidas fiscais e trabalhistas
aumentou receitas de R$ 208 milhões para R$ 267 milhões
ampliou sócio-torcedor e marketing
reduziu dependência de cotas de TV de 55% para 37%
Além disso, o clube melhorou infraestrutura e inaugurou, em 2016, o moderno CT George Helal.
Com Bandeira reeleito, o Flamengo voltou a investir no elenco e teve receitas recordes com vendas de atletas, como Vinícius Júnior. A dívida despencou para R$ 455 milhões até 2018.
A partir de 2019, sob Rodolfo Landim, o clube adotou postura agressiva no mercado e montou um dos elencos mais fortes do país, que conquistou a tríplice coroa: Libertadores, Brasileiro e Carioca.
Desde então, o Flamengo se consolidou como marca global e acumulou 13 títulos, além de quebrar recordes financeiros, atingindo R$ 1,56 bilhão em receitas em apenas nove meses sob a gestão Luiz Eduardo Baptista.