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Doença causada por peixe contaminado avança e preocupa autoridades
Autoridades alertam para aumento dos casos de ciguatera e orientam população sobre sintomas e prevenção
Por CIDADE FM 91,1 Mhz - GRAJAÚ MA
Publicado em 15/07/2026 07:16
NOTÍCIA

O aumento expressivo dos casos de ciguatera no Rio Grande do Norte acendeu um alerta das autoridades de saúde para uma intoxicação alimentar ainda pouco conhecida, mas potencialmente grave. Dados da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) mostram que, somente no primeiro semestre de 2026, foram registradas 141 ocorrências da doença, número 60,2% superior ao total contabilizado durante todo o ano de 2025, quando houve 88 notificações.

A ciguatera é causada pela ingestão de peixes contaminados pela ciguatoxina, uma neurotoxina produzida por microalgas marinhas que se acumulam na cadeia alimentar. Segundo a vigilância epidemiológica, a substância não altera o sabor, o cheiro nem a aparência do pescado e permanece ativa mesmo após o cozimento, congelamento ou salga, tornando impossível identificá-la por métodos tradicionais de preparo dos alimentos.

Desde 2022, o Rio Grande do Norte já notificou 259 casos da doença, distribuídos em 46 surtos, dos quais 113 foram confirmados, além de dois óbitos registrados. A maior parte das intoxicações ocorreu após o consumo de peixe em residências, responsável por 64% dos episódios, enquanto restaurantes e outros estabelecimentos comerciais concentraram os 36% restantes.

Entre as espécies mais frequentemente associadas aos casos está a Bicuda, também conhecida como Barracuda, responsável por quase metade das ocorrências confirmadas no estado. Também aparecem entre os peixes relacionados à doença espécies como Arabaiana, Dourado, Cioba, Pescada Branca, Galo do Alto, Pargo e Sirigado. As mulheres representam cerca de 59% dos casos registrados, e a maior incidência ocorre entre adultos de 20 a 59 anos. Natal concentra mais da metade das notificações, seguida pelos municípios de Touros, Ceará-Mirim, Nísia Floresta, Parnamirim e Extremoz.

Os sintomas podem surgir entre alguns minutos e até 48 horas após o consumo do pescado contaminado. Inicialmente predominam manifestações gastrointestinais, como dor abdominal, náuseas, vômitos e diarreia. Entretanto, os efeitos neurológicos costumam ser os mais marcantes e podem persistir por meses ou até anos. Entre eles estão dormência na língua e nas extremidades, coceira intensa, dores musculares, sensação de gosto metálico, tontura, fadiga e um sintoma característico conhecido como inversão térmica, quando objetos quentes são percebidos como frios e vice-versa. Em situações mais graves, também podem ocorrer queda da pressão arterial e diminuição dos batimentos cardíacos.

Diante desse cenário, a Sesap orienta que qualquer pessoa que apresente sintomas compatíveis após consumir pescado procure imediatamente atendimento médico e informe o histórico alimentar das últimas 48 horas. Sempre que possível, recomenda-se identificar a espécie consumida e preservar eventuais sobras do peixe, devidamente congeladas, para análise da Vigilância Sanitária. O órgão também aconselha evitar o consumo de espécies frequentemente associadas à doença, especialmente quando a origem do pescado for desconhecida.

 

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