O ministro Flávio Dino interrompeu o diálogo com André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF), segundo informações publicadas pelo jornal O Globo. O afastamento amplia o clima de divisão na Corte em um momento marcado por divergências sobre investigações de grande repercussão.
De acordo com a publicação, Mendonça enfrenta um processo de isolamento entre os integrantes do tribunal. A crise ganhou força após a divulgação de mensagens encontradas no celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e de decisões tomadas pelo ministro no âmbito do caso.
As relações dentro do STF estariam divididas em diferentes núcleos. Dino mantém proximidade com Alexandre de Moraes, enquanto Mendonça possui maior interlocução com Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. Cristiano Zanin e Dias Toffoli aparecem como ministros capazes de dialogar com os diferentes grupos.
O distanciamento é uma informação de bastidores e não foi confirmado publicamente pelos dois magistrados.
Indicações políticas ajudam a compor divisões na Corte
Flávio Dino foi indicado ao Supremo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois de exercer os cargos de governador do Maranhão e ministro da Justiça. Desde sua chegada ao tribunal, tem apresentado convergências com Moraes em julgamentos de repercussão política.
André Mendonça, por sua vez, foi escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Em diferentes processos, adotou posições contrárias às defendidas por Moraes e por integrantes do grupo mais próximo ao atual governo.
As origens políticas das indicações não determinam todos os votos dos magistrados, mas ajudam a compor o cenário de aproximações e conflitos observado atualmente no tribunal.
Declaração de Dino sobre inquéritos provoca reação
Em outra frente, Flávio Dino foi criticado pelo jornalista e colunista da BandNews FM Carlos Andreazza após comentar, nas redes sociais, a duração de investigações judiciais.
Dino questionou se um magistrado deveria prometer o encerramento de determinado inquérito para obter aplausos. A publicação ocorreu dois dias depois de o presidente do STF, Edson Fachin, defender a conclusão do inquérito das fake news, aberto em 2019 e relatado por Alexandre de Moraes.
Andreazza interpretou a manifestação como uma defesa da continuidade da investigação. Segundo o comentarista, a posição de Dino deveria ser analisada à luz de processos que envolvem críticas e reportagens direcionadas ao ministro.
Colunista cita investigação envolvendo jornalista maranhense
Durante o comentário, Andreazza mencionou o caso do jornalista maranhense Luís Pablo, investigado após publicar reportagens relacionadas ao suposto uso de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão por Dino e seus familiares.
Na avaliação do colunista, o procedimento teria transformado a atividade jornalística em objeto da investigação. O STF, entretanto, sustenta que o caso apura um possível monitoramento ilegal relacionado à segurança de Flávio Dino e não integra diretamente o inquérito das fake news.
A crítica de Andreazza representa sua interpretação sobre o episódio e não uma conclusão judicial. O conjunto de divergências, porém, reforça o ambiente de tensão no Supremo, onde relações pessoais, decisões processuais e disputas institucionais passaram a se cruzar com maior frequência.