Já o pico de menções à Nossa Senhora Aparecida ocorreu na terça-feira (29), na esteira do vaivém do caso no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O volume nas redes sociais foi de 3.000 menções a cada 100 mil postagens. Em aplicativos de mensagem, o pico foi na véspera, de 203 a cada 100 mil. A Palver destaca que a discussão ainda está em trajetória ascendente —a cada nova decisão judicial, há um novo aumento nas menções.
Os casos seguintes —de vazamento de mensagens de Alexandre Santini, ex-sócio de Flávio, e da frase de Lula sobre mulheres aprenderem "a tomar toque" desde pequenas, tirada de contexto— ainda são incipientes quando comparados aos dois primeiros.
O material guardado por Santini, sobre a presença do senador em festas com garotas de programa, um Rolex de R$ 305 mil e suposto lobby junto ao ministro Kassio Nunes Marques, foi divulgado na terça-feira (29). O pico das menções até aqui foi de 587 por 100 mil postagens nas redes e 156 por 100 mil em aplicativos de mensagem, ambos no mesmo dia da publicação do portal PlatôBR.
Já a frase de Lula ocorreu na noite de domingo, em comício em Belém (PA). O presidente fez referência à resistência dos homens ao exame de toque para prevenção do câncer de próstata e disse que as mulheres, em comparação, "aprendem a tomar toque desde pequena". A campanha adversária, encabeçada por Flávio e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), fez postagens nas redes que associam a fala à pedofilia.
O trecho viralizou a partir da madrugada de terça, quando atingiu o pico de menções em aplicativos de mensagens: 57 a cada 100 mil. Nas redes sociais, o ápice foi de 336 menções por 100 mil postagens nesta quarta. A campanha de Lula acionou o TSE pela remoção das postagens, e o tribunal deu 24 horas para Nikolas apagar o vídeo que impulsionou a desinformação.
"Apesar de já ter caído bastante em relação ao pico, o tema das bets segue bastante relevante e ainda bem superior aos demais tópicos da semana, e, na sequência, vem o tema de Nossa Senhora Aparecida. Ele tem sido bem explorado nas redes sociais, principalmente pela esquerda, que tenta manter esse tema ativo, e pelas decisões do TSE, que colocam o tema no noticiário", diz Luis Fakhouri, cofundador da Palver.
Fakhouri afirma que, no caso do vídeo de Lula em Belém, a percepção da equipe de inteligência da Palver é de que há uma atividade organizada pela direita política para criticar o presidente nas redes sociais, deixando aplicativos de mensagem em segundo plano.
"As redes têm aquela coisa do olhar rápido. Você olha aquela análise, comenta e compartilha, gerando mais engajamento. Quando o tópico é trazido em aplicativos de mensagem, a tese de pedofilia não para em pé, porque o ambiente suscita debate e a argumentação é frágil, está em um vídeo cortado, editado. Para direita, é interessante manter essa estratégia de tentar colar a pecha de pedofilia no presidente, mas, por enquanto, o que temos é que o vazamento do ex-sócio de Flávio ainda tem mais alcance."
O engajamento sobre o material vazado de Santini tem sido protagonizado pela esquerda, afirma ele, já que a direita "escolheu não participar deste tema, nem para defender Flávio".
A estratégia passa pela mesma postura adotada pelo próprio senador e pela equipe de campanha, que têm optado pelo silêncio em relação às mensagens relatadas pelo portal PlatôBR.
O resultado é que, pela ausência da direita no debate, o posicionamento da opinião digital é quase que inteiramente crítico a Flávio. Nas redes, 95% das menções são negativas sobre o candidato; em aplicativos de mensagem, 96%. "Esse cenário pode refletir tanto constrangimento quanto silêncio estratégico da base bolsonarista", diz a Palver.
No caso da fala de Lula sobre "toque", o posicionamento também é majoritariamente crítico ao presidente: 78% das menções nas redes são negativas, e 22% defendem o petista. Nos aplicativos de mensagem, a proporção é de 74% e 26%, respectivamente.
O dado aponta que o desmentido tem menos alcance que as críticas ao presidente que associam a fala à acusação de normalização de pedofilia. Segundo a Palver, os atores que ganham espaço com a discussão são Flávio e Nikolas, "que participaram da construção do enquadramento crítico", e os que estão mais expostos às críticas são Lula e Janja, "cuja reação com palavrões gerou novas publicações e prolongou a circulação do episódio".
Lula chamou Nikolas de canalha, e Janja subiu o tom e chegou a chamar o parlamentar de "piá de bosta".
Em relação à proibição das bets, o posicionamento é majoritariamente negativo. Desconsiderando as mensagens neutras, 57% das postagens nas redes sociais são críticas à medida, contra 43% em apoio; nos aplicativos de mensagem, a proporção é de 68% para 32%, respectivamente.
O cenário coloca Flávio e candidatos da oposição como atores que ganham espaço na opinião digital, por explorarem "a diferença entre a regulamentação de 2023 e a proibição de 2026", diz a Palver. Lula e o governo federal estão mais expostos às críticas, "diante das acusações de oportunismo e do conflito com clubes e torcedores".
"Parte das críticas está relacionada ao momento e à forma da decisão, tomada por MP às vésperas da eleição, e não necessariamente à defesa das bets", afirma a empresa de inteligência de dados.
No que tange à informação falsa que diz que Flávio Bolsonaro apoiaria um projeto para tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, o posicionamento digital é majoritariamente crítico ao político do PL: 63% das postagens nas redes sociais criticam o candidato, e 37% o defendem; nos aplicativos de mensagem, 54% e 46%, respectivamente.
Lula e PT foram os atores mais beneficiados pelo debate, afirma a Palver. A pesquisa Quaest do dia 28 de setembro apontou que o atual presidente avançou entre católicos e evangélicos após a polêmica. Entre os atores prejudicados estão Flávio, principal alvo das críticas, GloboNews e Judiciário, relacionados à retratação sobre o caso e à sequência de decisões judiciais contraditórias.