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Debate presidencial na Globo tem propostas, cobranças e ataques entre Lula e Flávio
O segundo e último debate presidencial de 2026, transmitido pela TV Globo, começou com a apresentação de propostas para o país, mas terminou em um confronto marcado por acusações e críticas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Por CIDADE FM 91,1 Mhz - GRAJAÚ MA
Publicado em 24/10/2026 09:14
NOTÍCIA

A discussão ficou mais acalorada no quarto bloco, quando os candidatos puderam escolher livremente os assuntos abordados.

Nesse momento, vieram à tona temas que marcaram a campanha eleitoral, como o caso do Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro, as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, e a disputa por uma mansão envolvendo o jogador Richarlison e Willer Tomaz, advogado e amigo de Flávio Bolsonaro.

Nos três primeiros blocos, apesar dos ataques pontuais, os candidatos concentraram parte de suas intervenções na defesa de propostas relacionadas aos temas definidos pelas regras do programa.

SEGURANÇA PÚBLICA 

No terceiro bloco, a segurança pública colocou Lula e Flávio em posições opostas. Ao defender que, caso seja eleito, pretende devolver à população os territórios dominados pelo crime organizado, o senador foi questionado pelo presidente sobre as medidas que adotaria para garantir a segurança dos brasileiros.

Lula também trouxe ao debate o caso de Ana Clara, uma menina de cinco anos morta por um disparo de fuzil durante uma ação policial no Rio de Janeiro, em 2021.

A mãe da criança, Cristiane Gomes da Silva, responsabiliza Flávio Bolsonaro, que integrou a defesa do policial acusado de efetuar o disparo, por sua atuação em um recurso que contribuiu para a discussão judicial sobre o julgamento.

O policial militar Bruno Dias Delaroli foi acusado pelo Ministério Público de realizar o disparo. Em 2024, Flávio assinou um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra a decisão que determinava que o agente fosse submetido a júri popular.

Questionado por Lula sobre a defesa do policial, o senador afirmou que não existem provas de que o agente tenha cometido o crime.

PROIBIÇÃO DAS APOSTAS ON-LINE

Outro assunto explorado pelos candidatos foi a regulamentação das apostas esportivas pela internet. Lula defendeu o veto ao jogo on-line no país e direcionou sua fala especialmente às mulheres.

Flávio, por sua vez, criticou a decisão, afirmando que ela teria sido tomada de última hora por causa do período eleitoral.

O senador também argumentou que a medida prejudicaria clubes de futebol que recebem patrocínio de empresas do setor de apostas.

Ainda no terceiro bloco, o candidato do PL voltou a criticar os preços dos alimentos e afirmou que Lula havia prometido picanha, mas entregado abóbora. Flávio também questionou a situação financeira das famílias brasileiras endividadas.

O presidente reconheceu a gravidade do endividamento da população e mencionou iniciativas de renegociação de dívidas adotadas por seu governo. Segundo Lula, foram criadas diferentes etapas do programa Desenrola para enfrentar o problema.

FLÁVIO PEDE DESCULPAS

O segundo bloco foi marcado por um pedido de desculpas do senador ao presidente. Flávio havia utilizado a expressão “nove dedos” para se referir a Lula durante o confronto inicial.

O presidente reagiu, afirmando que não aceitaria ser tratado daquela maneira. Em sua intervenção, explicou que perdeu um dos dedos aos 17 anos, enquanto trabalhava em uma metalúrgica na região do ABC paulista, e cobrou uma reparação do adversário.

Flávio pediu desculpas caso tivesse dito algo que ofendeu Lula. Na sequência, aproveitou para cobrar do presidente manifestações de desculpas às famílias que enfrentam dificuldades para colocar comida na mesa e às mulheres que não se sentem seguras.

LICENÇA-MATERNIDADE E BOLSA FAMÍLIA

Uma das perguntas do segundo bloco retomou um assunto discutido no debate anterior, realizado pela TV Bandeirantes: o voto contrário de Flávio, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, a uma proposta que ampliava a licença-maternidade das servidoras estaduais.

Dessa vez, o senador afirmou que se arrependeu da decisão. Ele justificou o voto dizendo que, na época, acreditava que a ampliação do benefício de 120 para 180 dias poderia prejudicar as mulheres na busca por emprego.

Durante a discussão sobre políticas sociais, Lula também questionou o adversário por ter chamado o Bolsa Família de “bolsa farelo”.

Flávio apresentou ainda uma proposta para comprar dívidas de pessoas físicas e jurídicas. Para os débitos de pessoas físicas, sugeriu adiar os pagamentos financiados por seis meses. No caso das empresas, o prazo proposto seria de um ano.

Lula afirmou que uma iniciativa semelhante já havia sido apresentada por seu governo e que o projeto dependia de aprovação no Congresso. O presidente criticou o adversário por, segundo ele, apresentar uma proposta que já estava em discussão.

Ao longo do bloco, os dois candidatos também defenderam políticas sociais, mencionaram o Sistema Único de Saúde (SUS) e apresentaram medidas para ajudar brasileiros endividados.

SALÁRIO MÍNIMO E INFRAESTRUTURA

No primeiro bloco, Lula começou questionando o conhecimento de Flávio Bolsonaro sobre a realidade brasileira.

A crítica surgiu durante a discussão sobre infraestrutura e exportações, tema definido para a rodada pelo apresentador Cesar Tralli.

O presidente afirmou que o senador estudava para memorizar informações, mas não para aprender.

Flávio, por outro lado, aproveitou o espaço para apresentar propostas, entre elas a conclusão de obras paralisadas e a implantação de pedágio gratuito para motocicletas nas novas rodovias que venham a ser abertas no país.

O senador também prometeu dar continuidade a projetos de concessão iniciados durante o governo de Jair Bolsonaro. Lula, por sua vez, citou a conclusão de obras da transposição do Rio São Francisco e da Ferrovia Transnordestina.

Na sequência, o presidente questionou quanto seria o salário mínimo caso os reajustes não tivessem superado a inflação ao longo dos anos, como defende o PT.

Flávio não respondeu diretamente à pergunta, e Lula afirmou que o valor seria de R$ 900, em vez dos R$ 1.621 mencionados como salário mínimo vigente no texto do debate.

TRANSPORTE PÚBLICO E JORNADA DE TRABALHO

Lula também perguntou ao senador o que pensava sobre sua proposta de tarifa zero no transporte público para os trabalhadores, associada à discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 e a concessão de dois dias de folga.

Flávio manifestou apoio à gratuidade e, em seguida, criticou a relação do governo petista com o agronegócio e os produtores da região Centro-Oeste. O senador também prometeu reajustar o salário mínimo anualmente acima da inflação.

A alta dos alimentos voltou a ser tema de confronto. Flávio criticou os preços, enquanto Lula destacou medidas de combate à fome e questionou como o adversário pretendia promover um corte de aproximadamente R$ 200 bilhões nas despesas sem comprometer programas sociais.

O presidente mencionou o governo do argentino Javier Milei como referência para questionar os possíveis efeitos das propostas de redução de gastos. Flávio negou que pretendesse retirar recursos dos mais pobres e classificou a afirmação como notícia falsa.

SANEAMENTO E POLÍTICAS

A discussão sobre o marco regulatório do saneamento básico também gerou divergências. Flávio questionou o posicionamento contrário de parlamentares do PT à proposta e defendeu a relação entre saneamento e saúde pública.

Lula respondeu com críticas ao conhecimento do senador sobre a região Norte e sugeriu que ele consultasse informações na internet sobre as ações de seu governo na Amazônia.

Flávio rebateu dizendo que o presidente recorria à internet para responder às perguntas. Também afirmou que questões ambientais dificultavam a execução de projetos de infraestrutura e saneamento em áreas como Belém, no Pará.

O candidato do PL acrescentou que, se eleito, pretende dar autonomia às populações indígenas para decidirem o que desejam fazer com suas terras. Ao final do bloco, voltou a prometer a manutenção do Bolsa Família.

 

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