Dois terremotos, de magnitude 7,2 e 7,5, atingiram a Venezuela nesta quarta-feira (24), segundo o serviço sismológico dos Estados Unidos (USGS), causando pânico e destruição em Caracas. Ao menos 32 pessoas morreram e outras 700 ficaram feridas após o desabamento de prédios na capital Caracas e arredores, informou a presidente interina Delcy Rodriguez.
O tremor principal (7,5) ocorreu 39 segundos após o precursor (7,2), a uma distância de cerca de 45 km, ambos no norte do país. Várias réplicas se seguiram a partir do primeiro sismo, que foi registrado às 18h04 no horário local (19h04 em Brasília), segundo informações do USGS. Os sismos aconteceram em diferentes profundidades e também foram sentidos na Colômbia e no Brasil.
A líder venezuelana interina, Delcy Rodríguez, fez um pronunciamento em que declarou estado de emergência e expressou suas condolências às famílias dos mortos. Delcy ainda afirmou que o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, o principal do país, está fechado devido "a graves danos em sua infraestrutura".
Rodriguez disse que os números iniciais não incluem as vítimas do estado de La Guaira, próximo a Caracas e onde fica o aeroporto da cidade, que é a região mais afetada.
"Dezenas de prédios desabaram e estamos realizando esforços de resgate muito intensos para salvar o maior número de vidas que Deus nos permitir salvar", disse ela em uma aparição na televisão estatal pouco antes da 1h da manhã, no horário local.
"Também quero dizer que esta é uma verdadeira tragédia. Daqui, enviamos nossa mensagem de solidariedade e, às famílias que perderam entes queridos, reafirmamos nossas condolências e nosso apoio nessas horas difíceis."
O país está concentrado nos esforços de resgate, incluindo a chegada nas próximas horas de equipes de outros países, disse ela, ao agradecer a líderes, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo a líder, ao menos 20 temores secundários foram registrados após os dois maiores sismos. "Trata-se de um evento com graves consequências. Há estados que foram particularmente afetados", afirmou.
O serviço americano USGS disse ser "provável que haja um grande número de vítimas e danos extensos na Venezuela". Em uma escala de alerta utilizada pelo órgão, estima-se 40% de chance de haver entre 10 mil e 100 mil mortos em decorrência de terremotos dessa categoria. Há, ainda, 36% de chance de o número ser entre 1.000 e 10 mil; 14% acima de 100 mil; e 10% entre 100 e 1.000.
As estimativas não levam em conta o cenário específico dos tremores desta quarta, mas uma projeção que compara esses registros sísmicos com parâmetros preestabelecidos pelo órgão. Os números podem ser revisados conforme novas informações forem divulgadas.
O ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello, afirmou que a polícia e o corpo de bombeiros foram acionados. "Temos prédios e casas que desabaram, e estamos lidando com a situação usando todos os recursos disponíveis de segurança e assistência civil", disse.
"Foram vistas cenas de pânico em um centro comercial em Caracas", reportou uma jornalista da AFP. Dezenas de pessoas saíram dos prédios na capital venezuelana e aguardavam na rua antes de voltar para seus escritórios e residências, relataram testemunhas.
Uma venezuelana relatou à agência Reuters o surgimento de rachaduras na parede de seu apartamento e a quebra de vidros na entrada do edifício.