O principal investigado por comandar um esquema de falsas operações na Bolsa de Valores, que teria movimentado cerca de R$ 440 milhões e feito mais de 300 vítimas, continua foragido. A informação foi confirmada pela Polícia Civil do Piauí, responsável pela Operação Extrema Confiança, que investiga a atuação do grupo criminoso.
Segundo o delegado Luciano Alcântara, titular do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), Francisco das Chagas Chaves da Silva, conhecido como “Chico Trader”, é considerado o líder da organização e está sendo procurado desde o início deste ano.
As informações foram divulgadas após a segunda fase da Operação Extrema Confiança, realizada na última segunda-feira (22), quando foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão no Maranhão e no Piauí.
Suspeito pode ter deixado o país
De acordo com a investigação, Francisco das Chagas chegou a prestar depoimento por videoconferência em 2025 e afirmou que permaneceria à disposição da Justiça. No entanto, posteriormente surgiram informações indicando que ele estaria em Ciudad del Este, no Paraguai.
Desde então, a polícia não conseguiu localizar o investigado, que é considerado foragido.
Esquema fez centenas de vítimas
A Polícia Civil estima que aproximadamente 300 pessoas tenham sido prejudicadas pelo esquema fraudulento. Entretanto, pouco mais de 100 vítimas formalizaram denúncias e prestaram depoimento durante a investigação.
Segundo o delegado Luciano Alcântara, algumas pessoas preferiram não procurar a polícia porque conseguiram recuperar parte dos valores investidos, perderam quantias menores ou sentiram vergonha de admitir que foram enganadas.
Entre os casos já documentados, uma vítima informou ter investido R$ 1 milhão, o maior prejuízo individual identificado até o momento. A polícia, porém, acredita que esse valor possa ser superado à medida que avança a análise das movimentações financeiras.
Prisões no Maranhão
Durante a segunda fase da operação, policiais cumpriram mandados em Timon e São Luís, onde dois homens, identificados pelas iniciais E.A.A., de 40 anos, e I.S.S., de 28, foram presos.
As investigações apontam que um dos suspeitos exercia papel importante na expansão do esquema, sendo responsável por atrair novos investidores com promessas de rentabilidade elevada.
Empresa é investigada
A empresa XTREME TRADE, apontada como principal estrutura utilizada pelo grupo para captar recursos das vítimas, teve suas atividades suspensas por decisão judicial.
Segundo a Polícia Civil, há indícios de que a empresa funcionava como fachada para convencer investidores a aplicar dinheiro sob a promessa de rendimentos mensais de até 10%.
Além da suspensão das atividades, a Justiça autorizou que, caso a fraude seja comprovada ao final do processo, o registro da empresa possa ser definitivamente extinto.
A investigação continua para identificar outros envolvidos, localizar o líder do grupo, ampliar o número de vítimas e rastrear o destino dos recursos movimentados pela organização criminosa.